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Manaus, 17-08-2018
Quando a preservação das florestas é música para os ouvidos

Por Elizângela Araújo – Fundação Banco do Brasil.
Foto Milanna Ambrósio

Realizar o sonho de ser luthier não é para qualquer um. Além de ser uma qualificação pouco ofertada no país, quando disponível é cara e distante da maioria dos aspirantes. Por isso o violinista Douglas Nóbrega agarrou com entusiasmo a oportunidade de estudar na Oficina Escola de Lutheria da Amazônia (OELA) quando a instituição abriu o primeiro curso de construção e manutenção de violinos com apoio da Fundação Banco do Brasil. “Desde criança sou apaixonado por música. Comecei a tocar aos 13 anos. A lutheria conheci um pouco depois, mas também foi uma paixão imediata”, conta.

Aos 33 anos, Douglas conta que trabalhar com instrumentos musicais era um sonho que pretendia realizar na aposentadoria. “Pensava um plano de previdência privada para, na aposentadoria, ter uma renda que me possibilitasse finalmente estudar lutheria num curso de excelência”. Mas o músico da Orquestra Amazonas Filarmônica não só realizou seu sonho bem antes do que imaginava como representou a OELA no Sustainable Wood for a Sustainable World (SW4SW), evento do Comitê de Florestas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Realizado em Roma no mês de julho, o evento reuniu delegações de 150 países.

A participação de Douglas no SW4SW consistiu em apresentar a sonoridade das madeiras brasileiras tocando a Sonata Trio, de Arcangelo Corelli (Barroco italiano), acompanhado dos músicos italianos Giorgio Sasso e Andrea Fossa. A peça foi tocada em instrumentos construídos durante o curso da OELA. Um deles, feito pelo colega Marcos Liênio, foi doado à FAO para fazer parte da exposição permanente da organização. “Foi um presente de Deus na minha vida! Fiquei muito feliz de representar o Brasil na FAO, principalmente por ter sido num evento que discute uma questão fundamental para a humanidade, que é a preservação das florestas”, resume o instrumentista.

Marcos, conhecido como Jamaica do Pífaro, é luthier autodidata há mais de 20 anos, especialista em instrumentos de sopro, e conheceu a OELA pesquisando sobre escolas de lutheria na internet. Morador de Paraíso do Tocantins (a cerca de 60 km de Palmas), ele mudou-se para Manaus durante o curso. Fazer parte da exposição permanente da FAO é especial para ele. “Ter um instrumento meu na terra da lutheria é motivo de orgulho pra mim”. O violino foi um dos três que ele construiu durante o curso - os outros dois ficaram na escola.

Para Douglas, representar a OELA no SW4SW foi “extremamente relevante” não só para a lutheria, mas para a agenda ambiental. “A gente vê tanta evolução na economia, tanta geração de bens materiais sem se preocupar com a floresta, com o amanhã, com o mundo. Não temos que nos empenhar em gerar dinheiro a todo custo. Precisamos também nos preocupar com o planeta para as futuras gerações”.

Nascido em Guarulhos (SP), Douglas mudou-se para Manaus ao ser contratado pela Amazonas Filarmônica. Além de músico respeitado, graças ao curso da OELA começa a construir também a carreira de luthier. “Tenho três encomendas de violinos, de músicos do Amazonas e de São Paulo. Minha oficina ainda está longe de ser finalizada, mas estou investindo o pouco que posso nela”. Segundo ele, para montar a oficina com todos os equipamentos necessários à construção de instrumentos é necessário um investimento de cerca de R$ 150 mil.

Consciente da relevância da iniciativa da OELA, Douglas destaca o apoio da FBB. “É muito importante que esse apoio continue a existir. Há muitas pessoas interessadas em aprender o ofício da lutheria”, declara. Ele também ressalta que apoiar um projeto de lutheria sustentável como o da OELA na Amazônia é mais barato porque a madeira já está na região e isso elimina custos com transporte. “O surgimento de novas turmas também criaria para nós a oportunidade de ensinar o ofício. Isso é essencial para valorizar nosso aprendizado e abrir um campo profissional, além de valorizar o investimento já feito”, aposta.

Rubens Gomes, fundador da OELA, explica que a intenção ao enviar Douglas para representar a instituição foi mostrar para o mundo que as madeiras brasileiras são tão nobres para a lutheria quanto as europeias. “Queremos que o mundo inteiro saiba que podemos fazer instrumentos de excelência sem destruir a floresta”, explica Gomes. Segundo ele, a escola é a única no mundo a trabalhar exclusivamente com madeira certificada ambientalmente.
A lutheria no Brasil

O ofício de construir e manter instrumentos musicais no Brasil é tradicionalmente passado de pai para filho. Rubens Gomes estima que o número de luthiers não chega a 500 no país. “Há alguns anos tínhamos uma associação e ela não chegava a agregar 50 profissionais”, explica. Quem deseja aprender essa arte dispõe de poucas escolas, entre as quais o Conservatório Dramático e Musical de Tatuí, em São Paulo, e o Curso Superior de Tecnologia em Luteria da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Geralmente, são cursos focados na produção de violões e guitarras.

OELA
A OELA foi criada em 1998. Em 2000, a escola foi a primeira do mundo a conquistar o Selo Verde do Conselho de Manejo Florestal, o Forest Stewardship Council (FSC). Mantido até hoje, o selo é um reconhecimento importante que respalda a utilização de madeiras certificadas. Até hoje, a instituição já formou cerca de 150 luthiers e 800 profissionais de marchetaria (ornamentação de madeira com madrepérola, marfim, metais e outros materiais).
Além da lutheria, são oferecidas atividades de esportes educacionais, cursos de qualificação profissional, educação ambiental, acompanhamento psicossocial e pedagógico a crianças, adolescentes e jovens estudantes da rede pública.

Curiosidade
De acordo com o Laboratório de Produtos Florestais (LPF), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, cerca de 200 espécies de árvores são usadas na produção de instrumentos musicais no mundo inteiro e 70 delas estão ameaçadas de extinção. No Brasil, é crítica a situação do jacarandá-da-bahia, utilizado em instrumentos de corda, e do pau-brasil Caesalpinea echinata, utilizado para fabricar arcos de violino.



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